(29.11. Primeiro encontro de um grupo-semente de artistas. Exercício: 10' de escrita temática. Sem revisão, só escrever. quero deixar aqui: para mim e para corações pelo mundo.)

Meu lugar-coração do mundo não tem forma, não está no mapa. Tem coordenadas itinerantes. Transita em afetos, tempos e espaços. Está no tempo que estou e nos tempos que nunca estive.

É curioso, esse meu lugar-coração do mundo, porque por mais fugidio e intangível, é também concreto e palpável. Ali... Nele cabem essas dicotomias clichês.

Ao nomeá-lo, encontro no lar o léxico mais cabível. Lar - doce palavra curta que acolhe o infinito.

Meu lar-coração do mundo é lar da memória, da herança e do amor, que encontro em tantos peitos, colos e abraços. Tem sangue e riso. Tem muitos lares em mim e tem muito eu nos meus lares.

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10 de março de 2021.

[trecho das páginas matinais]

“… Não queria escrever nem dizer isso, nem dar qualquer existência material a esse pensamento que eu abomino, mas ele existe e eu não sei o que fazer com ele. (…) Nesse momento, vai ser largar a caneta e deitar. E dormir. E esconder tudo isso em algum lugar. E deixar lá. Fingir que não existe, enquanto ele me corrói sem piedade.

Queria terceirizar minhas dores. Não estou apta ao cargo”.

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04 de maio de 2021.

[trecho das páginas matinais]

Essa noite sonhei que fugia de uma prisão pelo mar. Estávamos eu e outras mulheres, que às vezes era uma, às vezes outra, mas era sempre eu quem guiava e tomava os atalhos.

Tinha um buraco em uma tela (daquelas de proteção/prisão?) e dava para o mar aberto. Eu pulava. Ensinei uma delas a pular também. Depois nadava, boiava, e por fim, chegava na terra. Aí era só mato. Não sei o fim dessa jornada. O sonho acabou.

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Letícia Moreira

Letícia Moreira

em algum lugar, a qualquer momento, a gente se encontra, só pra se perder de novo. Insta: @lettiemoreira e @maisquesetimarte